3.4.20

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Quase que coincidentemente com o Corona vírus aqui no Brasil, a estiagem abarcou no litoral Norte de SP. Aqui chove muito, e o ano todo. Chove demais, incansavelmente. Aprendemos a nos molhar e a andar na chuva, o que aliás não acontece em SP, já que lá há proteção por todo lado. A coincidência agora é que ao longo desse confinamento temos tido aqui no litoral dos mais belos dias do ano, coisa que eu não via desde que mudei-me para cá em 2016. Por que logo agora? Poderia praguejar, mas eu vejo Deus nos detalhes. Não entendo a lógica de Deus e levo meu relacionamento pela fé e especulo por especular. Se me perguntarem se há Deus envolvido na parada do Corona vírus, eu digo que sim pensando no que há de positivo para a raça humana. Essa minha visão de olhar para o mundo, para os seres humanos dentro de sua frenética e alienada existência que praticamente afetada a todos direta ou indiretamente. Havíamos nos desacostumados de nossas ruas e vilas, de coisas simples de ficar na rua, na calçada, em casa. A propósito, ficar em casa era agora a extensão dos círculos de amigos e passeios pelas mídias sociais, e não vivíamos o distanciamento. Não vou levar tão a sério que seja Deus nos mandando mensagem através desse vírus, simplesmente porque pessoas estão sofrendo, e sofrendo muito. As pessoas sofriam antes do Corona vírus, e continuarão sofrendo depois. Certa vez um conhecido cristão disse para mim que Hitler foi uma forma dos judeus tentarem curvar-se diante de Jesus Cristo. A crença desse conhecido em relação a Hitler não é isolada. Hitler foi enviado por Deus para castigar os judeus. Deve ser senso comum entre os cristãos comungarem desse castigo. É complicado radicalizar o óbvio, já que crises assim houve e sempre haverá. Não somos imunes. A única diferença agora é que saímos da tela dos cinemas, e coletivamente estamos no mesmo drama em um enredo real. Não é um filme particular. Todos os dias em todos os cantos somos lembrados. Pode reparar que em algum sentido os depressivos têm demonstrado menos ansiedade, e aqueles que eram ansiosos têm uma chance de tentar praticar a concentração nesse aqui e agora. O que quero dizer mesmo é que alguns pequenos detalhes podem se tornar mensagens de força no compartilhado momento de incertezas e até debilidade. Sol com o mar lindo inspira gratidão. Algumas pessoas, que atentaram contra a própria vida recentemente, estão agora buscando resinificar sua existência. Pessoas que sofrem nesse momento a dor da separação, ainda sofrem, mas relativizam o que é realmente amar. Um pai poder falar aos filhos que devemos aprender a conviver agora em família, sem briga, porque estaremos confinados por semana ou meses, é uma oportunidade e tanto; nós termos que valorizar comida, água e gás de cozinha é uma guinada e tanto diante dos nossos valores. Todos os planos de viagem futura têm se dissolvido no ar e sem dores. Casamentos e outros sonhos concentrados nesse nosso agora. Agarrar-se no presente pode ser nossa salvação, assim como cultivar a positividade. Se falo de Deus, tento crer apenas naquilo que a cruel e mortal realidade se me mostra, mas tento crer que há algo positivo. O que for positivo, chamo bom; o que for negativo chamo de a ganância e maldade humana. Nosso caminho era a autodestruição. Veja só o dia bonito lá fora. E está lindo mesmo aqui em Barra do Una. A beleza do dia existe e eu não posso usufruir dele, consumi-lo da forma que gostaria, e aprendo que o planeta não é exclusivamente para meu usufruto. Aliás, aprendemos que sem o ser humano, a vida floresce. Deus alimenta a todos, da mesmo forma que alimentaremos um dia outras vidas. Esse momento é para tentar alimentar a alma e se possível aprender a compartilhar. Esse é o momento de reparar que podemos viver sem muitas coisas, e que o sentido na vida humana vem de dentro.

Flavio Notaroberto

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